Uma das razões pelas quais amanhã farei greve é o facto de os políticos continuarem a fazer medidas gravosas para todos os que trabalham, trabalharam ou virão a trabalhar, em nome de uma factura económica da qual não somos culpados, mas ainda ontem aprovou um plano de empréstimo de 12 mil milhões para que a banca se possa capitalizar.
O mais engraçado é que a banca pode usar o plano para se capitalizar mas às nossas custas, porque a coisa der para o torto, não é a troika que vai disponibilizar o dinheiro que se lixa, é o estado. Ou seja, se aparecer outro BPN já se sabe quem é que vai pagar as favas.
Mais engraçado ainda é ver os mesmos que são capazes de criticar o vizinho porque arranjou um empréstimo para a casa mas ficou sem emprego e agora não pode pagar, o caloteiro, verem este plano com bons olhos, porque vai ajudar a economia.
Vai? Como?
É que não me parece que este plano viesse agarrado a uma data de condicionantes que deviam ser obrigatórias, como por exemplo os bancos que recorrerem ao fundo serem obrigados a fornecer empréstimos a empresas em condições especiais, ou a colocar fortes mecanismos de controlo em todo o dinheiro que for injectado nessas entidades. Mas não. A bem da "economia" os bancos recebem dinheiro para se capitalizar e podem fazer com ele o que bem entenderem. E nós sabemos o quão bem isso resultou no passado.
As medidas de austeridade têm que ser efectivas e para todos, mas continuamos a fechar os olhos enquanto somos encostados à parede e a outros são dadas palmadinhas nas costas.
quarta-feira, novembro 23, 2011
Só agora?
Não consigo deixar de achar curioso o facto de agora que já não manda nada é que o PS aparece com umas propostas como deve ser, por exemplo cortar apenas um subsídio à custo de taxação mais gravosa em empresas que facturem milhões.
Mas só agora? Parece-me tarde e um bocadinho, só um bocadinho, demagógico.
Mas só agora? Parece-me tarde e um bocadinho, só um bocadinho, demagógico.
domingo, novembro 20, 2011
Mas afinal quem é geriu mal? Os trabalhadores, os fornecedores e a banca?
No jornal da tarde de hoje na RTP 1 dizia-se que após anos de má gestão a misericórdia da Covilhã está em falência técnica. Durante a reportagem o responsável diz que agora é preciso resolver o problema o que pode passar por baixar os salários dos fundionários, cortar nos subsídios de férias e Natal, assim como os fornecedores terão que absorver algumas das medidas necessárias e a banca também. Parece justo. Mas o que realmente faz confusão é aquilo que é referido por um funcionário que pergunta, onde é que estão os responsávies por essa má gestão efectuada durante anos e onde é que está a responsabilização dos mesmos?
É que esta situação é o reflexo do país. Durante anos a fio o país é mal gerido por quem manda, mas quando o barco afunda os que geriram retiram-se com milhões no bolso e o povo que se sacrifique "porque em tempos de crise todos temos que fazer a nossa parte", "porque não é quando tudo está mal que pioramos as coisas" e mais uns quantos outros chavões usados pelos mesmos que nos meteram nos enterraram.
São os que mandam que abrem os buracos, mas depois somos todos os outros que não nos devemos mexer porque o buraco pode alargar. Porquê? Porque sim.
Há quem se surpreenda por ao sol "nascer" todos os dias
Repare-se como esta "notícia" começa com a frase "A CGTP e a UGT voltaram a surpreender o País em Outubro com a marcação de uma greve geral contra as medidas de austeridade, escolhendo exactamente a mesma data de 2010, 24 de Novembro, para o protesto conjunto."
Foi? Surpreendeu? É que eu diria que faço parte deste país e não fiquei minimamente surpreendido, na verdade espera que tal já tivesse acontecido, e que era apenas uma questão de ver o Governo esticar a corda até ela partir.
A greve não só não supreende como já vem é tarde.
Foi? Surpreendeu? É que eu diria que faço parte deste país e não fiquei minimamente surpreendido, na verdade espera que tal já tivesse acontecido, e que era apenas uma questão de ver o Governo esticar a corda até ela partir.
A greve não só não supreende como já vem é tarde.
terça-feira, novembro 15, 2011
sábado, novembro 12, 2011
segunda-feira, novembro 07, 2011
O circo continua.
O secretário de estado dos transportes é um cómico. Agora que se volta a falar das alterações nos transportes em Lisboa vem dizer que as mudanças propostas visam acabar com redundâncias e promover transportes a custos justos. Olhando para a figura do homem vê-se que é alguém que tem a plena ideia do que são as redundâncias nos transportes. Se há uma estrada para lá e se se pode lá chegar de carro... para quê outro tipo de transporte? Claramente redundante. Relativamente ao custo justo nem comento, porque basta saber fazer contas de somar para perceber que até com o preço dos combustíveis nos valores em que está há muitas situações em que é mais barato ir de carro para o trabalho que apanhar transportes públicos.
Giro giro é que ainda a semana passada o ministro dizia que algumas das medidas que hoje estão em cima da mesa eram mera especulação.
Giro giro é que ainda a semana passada o ministro dizia que algumas das medidas que hoje estão em cima da mesa eram mera especulação.
domingo, novembro 06, 2011
Aprender
Há dias que servem para nos relembrar que todos os dias há coisas para aprender, ou pelo menos, para reaprender aquilo que a incúria nos fez esquecer.
Há dias que servem para nos reavivar memórias do que já sabemos ou nos dar memórias que serão reavivadas mais à frente no caminho.
Quando esses dias surgem é preciso vivê-los com serenidade. Se possível um sorriso no rosto. E se o sorriso no rosto não for possível por qualquer razão, então que seja com a expressão de quem está a prestar atenção.
Há dias que servem para nos reavivar memórias do que já sabemos ou nos dar memórias que serão reavivadas mais à frente no caminho.
Quando esses dias surgem é preciso vivê-los com serenidade. Se possível um sorriso no rosto. E se o sorriso no rosto não for possível por qualquer razão, então que seja com a expressão de quem está a prestar atenção.
Contos da mafia
Um senhor apresenta-se de fato e gravata num talho. Fala com o dono, diz-lhe que o seu negócio podia melhorar muito, basta comprar uma mega arca frigorífica que magicamente torna a carne melhor.
Mas o talhante não tem dinheiro. Não há problema, o senhor do fato empresta. O negócio corre bem, a clientela aumenta o talho cresce, o senhor do fato propõe mais câmaras frigoríficas, um matadouro logo ali ao lado e uma cadeia de distribuição para outros pontos da cidade, ele empresta o dinheiro. Mas chega o dia em que toda a gente da cidade já ali compra a carne, e o negócio cresceu mais do que devia sem que o talhante perceba. O senhor do fato diz que é por faltarem cadeiras no talho para as pessoas esperarem. Mas não é, e o talhante não consegue aumentar o negócio, apesar de ter comprado as cadeiras com dinheiro emprestado pelo senhor do fato.
Nisto o senhor do fato aparece para cobrar as dívidas, mas o talhante que se endividou mesmo antes de perceber que não podia crescer mais não consegue pagar tudo naquele momento. Não há problema, o senhor do fato empresta-lhe novamente dinheiro, mas desta vez o dinheiro serve para lhe pagar a ele próprio a prestação devida, sendo que os juros sobre este empréstimo serão obviamente maiores. No mês seguinte faz o mesmo, e no outro a seguir repete-se a situação.
Estão a reconhecer este filme? Não? E se chamar-mos ao talhante Pobretanidis?
Mas o talhante não tem dinheiro. Não há problema, o senhor do fato empresta. O negócio corre bem, a clientela aumenta o talho cresce, o senhor do fato propõe mais câmaras frigoríficas, um matadouro logo ali ao lado e uma cadeia de distribuição para outros pontos da cidade, ele empresta o dinheiro. Mas chega o dia em que toda a gente da cidade já ali compra a carne, e o negócio cresceu mais do que devia sem que o talhante perceba. O senhor do fato diz que é por faltarem cadeiras no talho para as pessoas esperarem. Mas não é, e o talhante não consegue aumentar o negócio, apesar de ter comprado as cadeiras com dinheiro emprestado pelo senhor do fato.
Nisto o senhor do fato aparece para cobrar as dívidas, mas o talhante que se endividou mesmo antes de perceber que não podia crescer mais não consegue pagar tudo naquele momento. Não há problema, o senhor do fato empresta-lhe novamente dinheiro, mas desta vez o dinheiro serve para lhe pagar a ele próprio a prestação devida, sendo que os juros sobre este empréstimo serão obviamente maiores. No mês seguinte faz o mesmo, e no outro a seguir repete-se a situação.
Estão a reconhecer este filme? Não? E se chamar-mos ao talhante Pobretanidis?
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